Onde tem coronavírus?

ANAMORFOSE: Uma representação alternativa da COVID-19 no Brasil

Na cartografia, a anamorfose é uma forma de representação do espaço geográfico em que a forma dos territórios é redesenhada, sofrendo uma deformação proporcional ao tema de interesse. O resultado comumente é um mapa distorcido quando comparado aos mapas convencionais, mas que têm grande poder de comunicação. Dessa forma, a representação do número de casos acumulados de COVID-19 por estado, por exemplo, vai resultar numa “dilatação” daqueles estados com maior incidência da doença.

As anamorfoses apresentadas aqui foram produzidas com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde e a data de referência será sempre o último dia da semana epidemiológica, segundo o Calendário Epidemiológico de 2020 divulgado pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde. Iniciamos a série com os mapas relativos a 09/05/2020, correspondente ao final da semana epidemiológica iniciada em 03/05/2020. Os dados populacionais foram obtidos das projeções do IBGE para 2019 .

No mapa de casos de COVID-19 de 09/05/2020, nota-se a grande expansão da área de alguns estados, mostrando alto número de notificações da doença em valores absolutos quando comparado aos demais. Destacam-se na anamorfose os estados de São Paulo com o maior número de ocorrências (44.411), seguido pelo Rio de Janeiro (16.929), Ceará (15.879) e Pernambuco (12.470).

Mapa anamórfico: Casos de COVID-19 no Brasil

No mapa do número de óbitos, também em valores absolutos, constata-se a semelhança com o mapa de casos. Os estados com os maiores números de óbitos seguem a mesma ordem do número de casos: São Paulo (3.608), Rio de Janeiro (1.653), Ceará (1.062) e Pernambuco (972).

Mapa anamórfico: Óbitos por COVID-19 no Brasil

Por outro lado, levando em conta o tamanho da população residente de cada estado, estimada para 2019 (IBGE), e calculando a taxa de incidência da COVID-19 por 100 mil habitantes**, observamos uma mudança notável na configuração do mapa. O Amapá, Amazonas e Roraima na região Norte tem suas áreas dilatadas no mapa em decorrência do alto número de casos em relação ao número de habitantes, seguidos pelo Ceará. São Paulo é o estado com o maior número de casos em valores absolutos, mas não está entre os maiores quando se leva em conta a proporção da população atingida pela doença.

Mapa anamórfico: Casos de COVID-19 por 100 mil habitantes no Brasil

No mapa da taxa de óbitos, a situação se modifica um pouco: Amazonas, Ceará e Pernambuco apresentam as maiores taxas, seguidos pelo Amapá.

Mapa anamórfico: Óbitos por COVID-19 por 100 mil habitantes no Brasil

** Taxa de casos de Covid-19((casos notificados/população)*100000),
    Taxa de óbitos de Covid-19((óbitos notificados/população)*100000)

Confira abaixo o mapa interativo

Acompanhe as notícias do Onde tem Coronavírus? para atualizações dos mapas anamórficos.

Fontes de dados:

Ministério da Saúde – Portal COVID-19

Ministério da Saúde – Portal SINAN

IBGE – Cidades e Estados

 

Metodologia:

As representações cartográficas foram realizadas utilizando o Plugin Cartogram3 no software QGIS. Elas pretendem enfatizar os valores que representam. São uma linguagem simbólica e instantânea da data representada. Não pretendem substituir outras formas de representação.

 

Referências indicadas:

World Mapper – Mapas anamórficos

 

Autores:

Diana Hamburger, Helena França e equipe do “Onde tem Coronavírus?”

 

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